| Direitos
humanos em Campinas, já
Rafael
Moya
direitoshumanoscampinas@yahoo.com.br
Acompanhamos
estarrecidos ao que vem ocorrendo na região
do Itatiaia e São Fernando. A Guarda
Municipal de Campinas, que segundo a Constituição
Federal, teria a tarefa de cuidar do patrimônio
público municipal, tem aterrorizado a
população daquela região,
com agressões físicas e imposição
de toque de recolher. Junto com essa notícia,
também recentemente tivemos a informação
de que Campinas é a primeira cidade do
país a receber a autorização
do Ministério da Justiça para
emitir e distribuir o porte de armas de fogo
para a Guarda Municipal.
Exatamente
por fatos como esses, que estão longe
de serem casos isolados ou raros, é que
se faz necessário que as entidades e
ativistas defensores dos Direitos Humanos estejam
mobilizados e articulados para cobrarem do poder
público que a Constituição
Federal, e inúmeros tratados internacionais
de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil,
sejam cumpridos. Existe uma lei em nossa cidade
que cria um Conselho Municipal de Direitos Humanos
e a Prefeitura Municipal tem se negado a cumprir
essa lei sob o argumento de que não haveria
tarefas para esse Conselho! Os fatos falam por
si.
Infelizmente,
a lógica que tem prevalecido no que se
refere à Segurança Pública
em nosso país, e Campinas não
foge à regra, é exclusivamente
a da repressão. No Rio de Janeiro, a
Secretaria de Segurança Pública,
por exemplo, irá comprar um helicóptero
que já foi apelidado de "Caveirão
do Ar". Essa aeronave será inteiramente
blindada, possuirá câmeras de longo
alcance e inclusive sensor termal para identificar
supostos "bandidos" pelo calor de
seus corpos! Essa verdadeira máquina
de matar custará aos cofres públicos
cariocas algo em torno de 15 milhões
de dólares. Enquanto isso, em 2006, segundo
o Tribunal de Contas do Estado, o investimento
em inteligência policial foi próximo
do zero. Em Campinas a Prefeitura fechou um
contrato milionário com a empresa de
segurança Gocil para que seja feita a
segurança dos prédios públicos,
tarefa essa que deveria ser destinada à
Guarda Municipal.
Nessa
perspectiva é que diversas entidades
e ativistas de Direitos Humanos reuniram-se
no Plenário da Câmara Municipal
no dia 15 de dezembro para discutir essas questões
e assim foi criado o Fórum de Direitos
Humanos de Campinas. O objetivo desse Fórum,
composto por membros da Sociedade Civil, é
o de articular as entidades e ativistas de Direitos
Humanos para que se discuta e se formule Políticas
Públicas na área de Segurança
Pública, receba e faça denúncias
de lesão a Direitos Humanos.
Acreditamos
que chegou o momento do Executivo Municipal
dar um basta nas desculpas esfarrapadas e cumprir
a lei criando o Conselho de Direitos Humanos.
Longe de achar que será a panacéia
dos problemas, será mais um instrumento
para coibir que "guardas pretorianas"
continuem impunes em nossa cidade. Continuaremos
exigindo que esse Conselho seja instituído,
apesar da declaração esdrúxula
do Secretário Municipal de Cooperação
em Assuntos de Segurança o General Mário
de Oliveira Seixas que "A presença
da Guarda Municipal está anestesiando
as ações irregulares". Anestesiando
as ações irregulares? O que será
que significa, para o Secretário, anestesiar?
Ações irregulares de quem? As
notícias veiculadas pelo Correio Popular
foram confirmadas por diversos moradores da
região que conversamos.
Num
momento em que a "lógica do Capitão
Nascimento" tem servido como modelo de
política de Segurança Pública
é fundamental reforçarmos que
nenhuma política será eficaz se
não incluir, principalmente, ações
de inclusão social, melhora radical na
educação, qualidade de vida para
toda a população e oportunidade
para nossos jovens, sem contar a necessidade
de se investir na valorização
dos agentes de segurança pública,
como Policiais e Guardas Municipais. Começaremos
a resolver o problema de segurança ou
insegurança pública quando começarmos
a usar mais o cérebro e menos pólvora.
Quanto ao Fórum Municipal de Direitos
Humanos, convidamos a todas as pessoas e entidades
defensoras dos Direitos Humanos que juntem-se
a nós para aumentar e fortalecer esse
que pretende ser um espaço amplo e democrático
para a defesa desses Direitos que não
foram dádivas de nenhuma entidade ou
governo mas sim uma conquista de toda a humanidade
à custa, inclusive, de muito sangue.
Rafael
Moya é bacharel em Direito e um dos organizadores
do Fórum de Direitos Humanos de Campinas
|