| MST
ocupa superintendência do INCRA em São
Paulo
Do
site do MST
Cerca de 400 trabalhadores e trabalhadoras do
MST ocuparam na manhã desta segunda-feira
a superintendência regional do do INCRA
(Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária), em São Paulo.
Essa ação tem como objetivo chamar
atenção da sociedade, pois a política
do atual governo não pauta a Reforma
Agrária como uma das prioridades do país.
As políticas compensatórias utilizadas
hoje, não devem ser utilizadas como solução
para o campo, e sim deve ser feito um projeto
voltado aos pequenos produtores.
Durante o ano, diversas jornadas buscaram em
todo o país chamar atenção
para a questão agrária. No entanto,
apesar das negociações, a reforma
agrária está parada. Cerca de
150 mil famílias continuam acampadas
em todo o país. A falta de infra-estrutura
e assistência técnica nas áreas
de assentamentos continuam sendo um problema;
os trâmites internos para os processos
de desapropriação permanecem vagarosos;
os poucos investimentos do governo não
têm modificado a situação
de risco que as famílias do campo se
encontram.
Em São Paulo, 1.600 famílias permanecem
acampadas, e outras 700 não tiveram acesso
a crédito e infra-estrutura para terem
possibilidade de sobreviver do trabalho no campo.
O governo do presidente Luís Inácio
Lula da Silva herdou uma Medida Provisória
editada na gestão de Fernando Henrique
Cardoso que impede a vistoria e a desapropriação
de propriedades rurais ocupadas. A MP 2.027-38,
editada em maio de 2000, tem como objetivo reverter
o número de ocupações de
terra no país. O Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra exige a revogação
dessa MP que é totalmente contrária
aos avanços da Reforma Agrária.
A assistência técnica nas áreas
de assentamento garantem melhorias na produção,
por meio da organização que influencia
o resultado final do produto. A não destinação
de recursos para a assistência técnica,
até o momento, por parte do Incra, prejudica
a renda de milhares de famílias assentadas.
A falta de infra-estrutura não garante
questões básicas aos assentados,
tais como boas condições das estradas,
além da garantia de água e luz
para os trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Os poucos investimentos do governo e a falta
de uma linha de crédito, por sua vez,
também impedem avanços questão.
Isso faz com que a agricultura familiar seja
prejudicada, e quem mais tem problemas com isso
é o próprio mercado interno, que
sofre com a crise de alimentos. No período
de 30 anos, que teve início na década
de 70, cerca de 700 mil pessoas deixaram o campo.
O fato mais alarmante é que esse processo
segue em andamento.
O governo tem dado prioridade ao agronegócio,
que avança sobre o território
brasileiro, conquistando terras que deveriam
ser destinadas aos trabalhadores rurais. Só
o Banco do Brasil emprestou 7 bilhões
de dólares para 13 grupos econômicos
investirem na produção para exportação,
enquanto os assentamentos não recebem
investimento suficiente.
Além de tudo isso, os movimentos sociais
ainda sofrem uma ofensiva por parte do Estado,
do poder judiciário e das milícias
privadas. Os trabalhadores e trabalhadoras rurais
são perseguidos, mortos e sofrem violência
física. A luta pela Reforma Agrária
não pode ser tratada como caso de polícia.
Os movimentos sociais não podem ser criminalizados
para que o agronegócio prevaleça
em nosso país.
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