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Cartilha da Luta pela Legalização
do Aborto produzida pelas companheiras da Secretaria
Estadual das Mulheres do PSOL
SEGUNDO
ENCONTRO ESTADUAL DE MULHERES DO PSOL/SP

Congresso
do PSOL aprova resolução favorável
a legalização do aborto!
Diante
do tema do aborto, questão de vida ou morte para
milhões de mulheres trabalhadoras, na sua grande
maioria negras, o Coletivo Nacional de Mulheres do Partido,
juntamente com militantes mulheres organizadas em diversos
estados, apresentou aos participantes do 1º Congresso
Nacional do Partido Socialismo e Liberdade a defesa de
uma bandeira fundamental do movimento de mulheres e da
esquerda socialista.
Por maioria visível dos mais de 730 delegados e
delegadas, o congresso aprovou a seguinte Resolução:
Educação
sexual para decidir, contraceptivos para não abortar,
aborto seguro para não morrer!
O índice de mortalidade materna no Brasil é
5 vezes maior do que o dos países desenvolvidos,
sendo que 92% destas mortes são evitáveis
e o aborto constitui sua 4a causa (em Salvador é
a primeira causa). A condição de ilegalidade
do aborto (exceto em caso de risco de vida para a gestante
ou de gravidez resultante de estupro) não impede
a sua realização em casos de gravidez indesejada,
haja vista a estimativa de 1,2 milhão de abortos
por ano no Brasil.
A segurança e a qualidade do procedimento variam
em razão direta do poder aquisitivo da mulher;
em conseqüência, principalmente as mulheres
pobres, negras e/ou jovens são obrigadas a se submeter
a condições precárias para abortar;
isso pode ser demonstrado pelas estatísticas, em
que os casos de morte e de danos graves à saúde,
muitas vezes com seqüelas físicas e psicológicas,
concentram-se nestes segmentos da população
feminina. Ou seja, não podemos ignorar ser esta
uma questão de classe, pois as mulheres pobres,
trabalhadoras, sobretudo as negras são as mais
atingidas por falta de um serviço público
que assuma esta responsabilidade em garantir a vida destas
mulheres. Lutar pela vida de mais de 1 milhão de
mulheres que morrem por ano é tarefa de um partido
comprometido com a luta da classe trabalhadora.
Toda mulher tem o direito de decidir se e quando ter filh@(s);
uma gravidez indesejada resultará em uma maternidade
indesejada, com todas as implicações disto
para a vida da mulher e da criança. A maternidade
é um direito e não um dever da mulher, logo,
obrigar uma mulher a levar adiante uma gravidez indesejada
constitui um ato de violência. A imposição
dos valores e concepções de uma religião
sobre a sociedade através da legislação
fere o princípio de laicidade do Estado.
Dessa forma o 1º Congresso do PSOL resolve que:
O PSOL defende a descriminalização e legalização
do aborto, conjugadas a uma política de saúde
sexual e reprodutiva nos marcos do SUS (Sistema Único
de Saúde), universal, pública, de qualidade,
que inclua:
Uma Educação Sexual não machista
e não homofóbica;
Informação a todos os métodos anticoncepcionais
e o acesso irrestrito a eles;
O direito à realização de aborto
em casos de gravidez indesejada;
A regulamentação da assistência ao
aborto, realizado até a 12a. semana de gestação,
por equipe multiprofissional (médic@, enfermeir@,
psicólog@, assistente social) preparada técnica
e humanamente;
O direito à maternidade, através de uma
assistência qualificada ao pré-natal, parto
e pós-parto, direito à licença-maternidade
e estabilidade no emprego, creche em período integral
nos locais de estudo e trabalho, educação
pública, universal, de qualidade em todos os níveis,
direito ao trabalho, à moradia, ao lazer; para
o PSOL, esse é o significado pleno da defesa da
vida!
Coletivo Nacional de Mulheres do Psol
Rio de Janeiro, junho de 2007
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