2008: o ano neoliberal no Estado de São Paulo

O ano de 2008 aponta no horizonte como mais um período importante à resistência ao neoliberalismo. No Estado de São Paulo teremos mais uma ofensiva do setor privado aos parcos e ainda existentes ativos públicos. No ano anterior, mais precisamente no dia 21 de Setembro, o Governo Estadual abriu licitação de empresas de consultorias para “prestação de serviço de consultoria para avaliação, modelagem e execução de venda de ativos mobiliários detidos pelo Estado de São Paulo”, ou seja, a pavimentação indispensável à posterior privatização. 

No pacote estão as 18 empresas estaduais:

CESP (Companhia Energética de São Paulo)
SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
BANCO NOSSA CAIXA
METRÔ (Companhia Metropolitano de São Paulo)
CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo)
CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)
DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S. A.)
EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.)
COSESP (Companhia de Seguros do Estado de São Paulo)
CPP (Companhia Paulista de Parcerias)
CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)
PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo)
IMESP (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)
EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos)
CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços)
IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
CODASP (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo)
EMPLASA (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano)

O edital dividia-se em duas possibilidades de serviços: a elaboração de uma avaliação econômica e financeira das 18 empresas em questão, e a segunda, e mais atraente para as empresas de consultoria e principalmente para o grande capital, que previa não somente a elaboração econômica-financeira das empresas, mas a modelagem e execução de vendas das participações do Estado nelas. Detalhe, no segundo serviço se faz o corte às empresas que já dispõe de autorização legislativa para venda, como rege a lei, que hoje são CESP, 20% das ações do BANCO NOSSA CAIXA e 5 subsidiárias do BANCO NOSSA CAIXA.

E não pára por aí. No começo do ano passado o Governo publicizou o interesse na privatização de sete rodovias, que são: Ayrton Senna, Carvalho Pinto, D. Pedro 1º, Raposo Tavares, Orlando Quagliato, João Batista Cabral Rennó e o trecho oeste do rodoanel Mário Covas. As intenções que eram para o mesmo ano não se efetivaram diante do “sucesso” das privatizações petistas, que conseguiram pedágios abaixo dos tucanos. Porém, a outra faceta da questão é que agora mais do que nunca o ideário privatista ganhou status de consenso, “desde que bem manejado”, como divulgam os petistas federais, e a possibilidade de retorno dessa pauta tucana é enorme para este ano.

Em suma, o tucanato tentará a todo custo transferir ao setor privado estas dezoito empresas estatais e sete rodovias, o intuito todos sabemos, assim como o verniz ideológico do “Estado mínimo”. Abaixo, num estudo pormenorizado tentaremos mostrar a envergadura dessa intervenção, empresa-a-empresa, evidenciando a importância da manutenção desse patrimônio sob égide pública, balizando-se por estes interesses. Antes, resta-nos fazer um adendo, que entre as dezoito empresas existe uma hierarquização de interesses pelo mercado, ficando acima as três que hoje tem capital aberto, a saber: CESP, SABESP e BANCO  NOSSA CAIXA, que no estudo no edital de licitação eram chamadas de GRUPO 1, e aqui receberão análise mais detalhada.

Companhia Energética de São Paulo

CESP poderíamos dar o título de “jóia da coroa”, pois dentre as 18 empresas é a que mais desperta interesse do grande capital e curiosamente a mais acelerada no processo de privatização. Na última reunião do Conselho Diretor do Plano Estadual de Desestatização foi aprovada a sua privatização, o que fez disparar o preço de suas ações na BOVESPA.

O interesse do capital financeiro reside na importância estratégica do setor energético e, por conseguinte, nas possibilidades de negócio com este. A CESP, mesmo esfacelada após rodadas de cisões e privatizações ao longo da década de 90, detêm seis usinas hidrelétricas com capacidade instalada de 7,46 mil megawatts (MW), que a coloca como quarta maior do país em potência instalada e terceira em produção de energia, sem levarmos em conta a proximidade dos centros consumidores, fato que valoriza ainda mais seus ativos.

O patrimônio remanescente da CESP são basicamente seis usinas, 3 localizadas no Rio Paraná, que são: Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, Porto Primavera (UHE Eng. Sérgio Motta) e Jupiá (Eng. Souza Dias); localizada no Rio Tietê está a Três Irmãos e na bacia do Rio Paraíba do Sul encontra-se a Paraibuna e Jaguari, cujas barragens estão nos rios que deram nome às respectivas usinas. As seis usinas foi o que sobrou da maior empresa energética estadual brasileira. O desmonte tucano iniciou-se em 1996, quando se começou a “fatiar” a empresa para sua posterior privatização.

Em 1996, a CESP constituiu sua subsidiária ELEKTRO (Eletricidade e Serviços S. A.), que era responsável pela distribuição de energia elétrica, e foi privatizada dois anos depois, em Julho de 1998. Em 1999 foi aprovada a cisão parcial da empresa. Drenou-se então seu patrimônio para a criação de três novas empresas: Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê e Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, privatizadas em 28/07/1999, 27/10/1999 e 28/06/2006, respectivamente.

O próximo passo para a CESP é a transferência das ações que sobraram em poder da Fazenda do Estado de São Paulo para o poder privado, anulando qualquer possibilidade de intervenção no conselho diretor da empresa. 


Sabesp

Empresa criada em 1973 com a finalidade de prover serviços de água e esgoto. Atende hoje 367 dos 645 municípios paulistas, cobrindo 26,1 milhões de habitantes, totalizando 60% da população do Estado. Seu patrimônio é avaliado em 4 bilhões de dólares e emprega 17 mil trabalhadores.

A empresa é de capital aberto, ou seja, negocia seus títulos na Bolsa de Valores, e tem como acionista majoritário a Fazenda do Estado de São Paulo, sendo que em 2004 já foi negociado metade das ações, que viraram o patrimônio da CPP (Companhia Paulista de Parcerias), principal agente das PPP´s. A privatização no caso, seria a alienação dessa parte, transferindo-o ao setor privado. Tal ato reduzirá enormemente a influência do Estado nesse setor estratégico, seja no tocante a ampliação do acesso aos serviços de água e esgoto, seja quanto a tarifação, que ficarão aos sabores do capital.

O controle desta pelo setor privado trará malefícios bastante conhecidos nos outros setores privatizados, como elevação das tarifas, principal receita da empresa. Como dito, essa política clássica, geralmente antecedida de investimentos em publicidade e, salvo exceções com mudança no logotipo da empresa, reduzirá o poder de compra da população, que verá crescer o peso desse bem indispensável nos seus gastos, onerando ainda mais o povo paulista.

A reversão dos intentos tucanos significa não somente a defesa direta do patrimônio de todo povo paulista como o freio no capital de ditar sua lógica a esta área que até então pública.

Nossa Caixa

O BANCO NOSSA CAIXA carrega consigo 90 anos de história. Desde quando, em 22 de março de 1917, se consolidou como Caixa Econômica do Estado ele passa por transformações em sintonia com o Sistema Financeiro Nacional e Internacional. Em 1951, reúnem-se todas Caixas Econômicas regionais e centrais em uma só, que passou a se chamar Caixa Econômica do Estado de São Paulo. Quase 39 anos depois, em 1990, se oficializa a equiparação das operações do banco paulista aos demais no Sistema Financeiro Nacional, que passa a ser um banco múltiplo, com novo nome NOSSA CAIXA – NOSSO BANCO S.A.

O Plano Real, de 1994, também foi um marco para o banco, que se viu alijado de vultuosas movimentações financeiras, o plano que impactou em redução gradual do banco sob posse estatal, e conseqüentemente do instrumento de financiamento público, fez também por mudar o nome em 1995 para BANCO NOSSA CAIXA S.A., que se manem até hoje, curiosamente coroando e “comemorando” os 13 anos de desmandos tucanos em nosso Estado.

Em 2001 se aprovou na ALESP (Assembléia Legislativa de São Paulo) a alienação de 49% do patrimônio do banco em ações e a criação de sete subsidiárias, fatiando o banco  de modo a fragilizá-lo. No ano de 2005 o banco entrou para a BOVESPA, abrindo seu capital.

O BANCO NOSSA CAIXA S.A. dota de grande patrimônio legal, este advindo da obrigatoriedade de intermediação dos vencimentos dos servidores, fato este que o coloca, segundo o relatório “50 Maiores Bancos” do Banco Central do Brasil, em 11º no ranking dos maiores ativos nacionais, próximo dos R$46,5 bilhões no ano de 2007, e como primeiro em se tratando dos Bancos Públicos Estaduais. No mesmo relatório mostra um resumo de outros dados, como o número de 555 agências, concentradas em grande maioria no Estado de São Paulo, mas com participação nas cidades de Uberlândia, Londrina, Belo Horizonte, Curitiba, Campo Grande e Rio de Janeiro.

O funcionalismo do Banco Nossa Caixa atingiu, em Setembro de 2007, a cifra de 16.667. O que pode nos parecer uma suntuosidade se entendido fora de um contexto histórico de evolução desse número. Em 1995 esse número era de 14.307, ou seja, 16,5% menor. No entanto, vemos que o ativo do banco saltou em termos nominais de R$8,7 para R$46,5 bilhões. Se aplicarmos o IGP-DI, índice de inflação, temos que o valor, a preços constantes de 2007 saltou de 26,25 para os R$46,5 bilhões, ou seja, um crescimento de 77% para o período. Temos portanto de um lado um modesto crescimento do número de funcionários e, de outro, um vultuoso engrandecimento do ativo, processo clássico de enxugamento de pessoal da cartilha neoliberal.

O banco estadual e público por excelência segue, portanto, a política dos bancos privados, aumentando a parcela de capital por funcionário, política não somente percebida neste, mas em quase todos bancos públicos que passaram por mãos tucanas em âmbito nacional e, ou fora sucateado, ou privatizado (que aparece, sob esse ponto de vista, até com maior ênfase no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). Reverte-se a finalidade do Banco público, que em décadas anteriores atuava como financiador de políticas públicas, muitas vezes à fundo perdido, como no caso das moradias populares das décadas de 70 e 80. Agora, imprime-se ao banco uma postura semelhante à organização privada, como vimos, passo importante para o encontro com a tese de “redução do Estado”, que não mais o enxergando como apêndice de sua política, só vê na privatização a solução. O desvirtuamento da finalidade do banco público estadual e a subseqüente aproximação com a lógica privada imputa ao mercado a melhor gestão do Banco, como argumenta o Governo, fascinado com a receita a ser gerada.

A defesa do BANCO NOSSA CAIXA, opondo-se frontalmente ao edital e a seqüente privatização deste que é um dos maiores instrumentos do Estado de efetivação de política social é a ordem do dia na luta social contra o avanço linear do ideário neoliberal sobre o patrimônio do povo paulista desde 1996. A manutenção do Banco em posse do Estado é a única possibilidade de reversão da política neoliberal que o baliza e para resgatar o importante instrumento estadual  de financiamento de políticas sociais. 

EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.)
A EMAE surgiu da cisão Eletropaulo em quatro empresas independentes (EMAE, Eletropaulo Metropolitana EBE – Empresa Bandeirante de Energia S/A e a EPTE – Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S/A) e iniciou suas operações em Janeiro de 1998, sendo a concessionário responsável pelo Serviço Público de Geração de Energia Elétrica.

Sob seu controle estão funcionando as seguintes usinas:
• Usina  Hidroelétrica Henry Borden, localizada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão, composto por duas usinas de alta queda (720 m), denominadas Externa e Subterrânea, totalizando 889 megawatts;
• Usina Hidroelétrica Porto Góes, inaugurada em 1928, na margem direita do Rio Tietê, na cidade de Salto. Foi a primeira usina da EMAE a ser automatizada. Sua capacidade é de 11 megawatts e tem vazão de 56m³/s. A curiosidade desta Usina é a arquitetura que a forma, lembrando as indústrias do início do século passado, formando linda paisagem com a ilha formada pela descarga de água durante a abertura das comportas;
• Usina Hidroelétrica Rasgão, implantada na curva do Rio Tietê, em Pirapora do Bom Jesus, onde, há quase dois séculos, havia sido feito um rasgão que desviaria as águas do leito original do rio para buscas infrutíferas de ouro. Apesar das dificuldades para a sua construção, em 6 de setembro de 1925 entrou em operação a primeira unidade geradora, tendo funcionado até 1961, quando a infiltração de água pelo canal provocou o seu desativamento. Em 1989, as suas estruturas foram recuperadas e a usina voltou ao sistema gerador da EMAE. Sua capacidade de produção é de 22 megawatts;
• Usina Termoelétrica (UET) Piratininga, construída nas margens do Canal Pinheiros, próximo ao Reservatório Billings, entrou em operação em 15 de novembro de 1954, com seus dois primeiros geradores, com potência inicial de 200MW. Com a ampliação da década de 60 sua capacidade saltou para 472 megawatts. Desde 2000 a empresa vem utilizando o gás natural, menos poluente. Em janeiro de 2001 foi instituído um consórcio com a Petrobrás para que as duas empresas executem a implantação de quatro turbinas a gás em ciclo combinado, aumentando a capacidade de geração.
Juntas, as três usinas hidrelétricas e a termelétrica produziram no ano de 2006 o equivalente a 1,3 Gigawatts, segundo o Balanço do Governo, volume, que como apontamos para o caso da CESP, interessa muito ao mercado diante das subidas de preço da energia diante da demanda nacional e internacional. A imprescindibilidade deste bem de consumo a torna muito atraente, sendo imperativo a manutenção deste sob as hostes estatais, desenhadas por valores públicos seus investimentos e preços aos consumidor.


COSESP (Companhia de Seguros do Estado de São Paulo)

A COSESP foi criada em 1967 e recebeu esse nome dois anos após sua fundação. Inicialmente vinculada ao IPESP e hoje sob domínio da Secretaria da Fazenda sua função é operar no ramos de seguros e resseguros em todas esferas que pode abarcar, tais como de propriedade e produção, inclusive o seguro rural, onde poderia realizar política de fortalecimento da agricultura familiar. A empresa encontra-se em profunda desconstrução, terminando o ano de 2006 com apenas 127 funcionários e com tendência a maiores cortes.

CPP (Companhia Paulista de Parcerias)

Criada juntamente com o Programa de Parcerias Público-Privadas, a CPP tem como função a coordenação dos contratos deste programa. O Conselho Gestor do Programa, integrado praticamente por secretários do governo, membros de livre indicação do governo e Procurador do Estado, é quem dita os objetivos do programa. A CPP conta com um patrimônio que visa a custear suas ações. O estoque inicial desse patrimônio veio integralmente (e curiosamente) da alienação em 2004 dos 49,9% das ações da SABESP, algo que hoje aproxima dos R$521 milhões.

Dificilmente se pode imaginar a privatização da CPP dado sua função e ineficácia para o mercado, a participação dessa empresa no estudo em questão deve ser uma mera questão administrativa, em que o Estado busca valores atualizados do patrimônio dessa empresa.

 
Para o funcionamento da CETESB no ano de 2008 foram destinados o montante de R$264 milhões, sendo destes a parcela de R$180 tendo como destino a remuneração de pessoal. Verifica-se também que comporão o volume total R$80 milhões de receita própria, que no caso é a receita advinda das multas aplicadas.

A importância dessa empresa para o Governo e população, como se pode perceber, são incomensuráveis, e num momento em que a relação do homem e meio-ambiente estão em primeiro plano a CETESP cumpre exemplar função no tocante a intermediação dos devaneios do capital e interesse público.
  
PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo)
Empresa criada em 1969 e responsável por quase todas iniciativas do Governo na utilização da tecnologia em prol da governança rápida e ágil. Prova disso é que está presente nos programas estaduais Farmácia Eletrônica, Acessa São Paulo, Rede do Saber, informatização do Tribunal de Justiça, entre outras. O seu corpo técnico qualificado adapta tecnologia aos segmentos que demandam seus serviços, ofertando um serviço de grande importância à população. 

Está vinculada à Secretaria de Gestão Pública e figura-se com empresa de economia mista, tendo como principais acionistas a Secretaria da Fazendo do Estado de São Paulo e o Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, novo SPPrev (São Paulo Previdência).

Está sediada em Taboão da Serra e possui escritórios na capital. O último balancete da empresa disponível mostra a viabilidade econômica da empresa, razão quase sempre exposta pelos tucanos como motivo para sua privatização. O seu lucro líquido em 2006 foi de 24 milhões de reais, e seu ativo total nesse ano finalizou acima dos 320 milhões. Conta com o plantel de mais de 2000 funcionários muito bem capacitados.

A transferência desta para o setor privado configuraria num presente, haja visto que serviços como os prestados pela empresa dificilmente são encontrados no mercado, continuando o Estado seu cliente, só que agora aos preços sendo adicionados margem de lucro, reduzindo os parcos recursos do Estado. 


IMESP (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)

Conhecida empresa dos paulistas, também a mais antiga, datado seu nascimento no dia 28 de Abril de 1891, a IMESP é responsável por organizar e divulgar através do Diário Oficial todos os atos dos três poderes do Estado de São Paulo: Executivo, Legislativo e Judiciário.

A IMESP é uma empresa de economia mista tendo como quase único acionista a Secretária da Fazenda de São Paulo, que detém 99,99% de suas ações. Está vinculada desde o começo de 2007 à Secretária de Comunicação. Possui mais de mil funcionários e a terceira maior gráfica estatal do mundo.  Assim como boa parte das outras empresas estatais, esta possui boa saúde financeira, auto-financiando seus custeios e investimentos. Para o próximo ano está estipulado o investimento com recursos próprios de 18,7 milhões de reais em modernização da imprensa e inovação da gestão.

O patrimônio da IMESP e sua função, construídas em quase 107 anos, assim como todo patrimônio que ainda sobrou diante do desmando tucano está na mira deste edital. Reforçamos também o custo vindouro aos cofres públicos diante da privatização destas empresas, haja visto necessidade do Governo desse instrumento e da exclusividade adquirida pelo comprador, obtendo alto poder de barganha junto ao poder público. 

CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços)

Esta empresa foi criada em 1991 com a finalidade de suprir todas demandas do Governo do Estado de São Paulo no tocante às estruturas físicas que o abriga. Assim, a CPOS planeja, projeta, constrói e amplia todas obras demandas pela estrutura de Governo.

Estimula a contratação da CPOS o fato desta prescindir, por lei, de licitação para sua contratação, por se tratar de relações dentro da própria esfera pública. Os contratos da CPOS com seus contratados para efetivação das obras também não passa pelo crivo do Tribunal de Contas do Estado, órgão do Legislativo que apura os gastos públicos. Motivos estes dois, a ausência de licitação e das investigações, que imprimem à CPOS uma imagem negativa diante da população, freqüentemente nas páginas da grande mídia como palco de corrupção e malversação dos recursos públicos.

A CPOS também publica periodicamente o “Boletim Referencial de Custos”, largamente utilizado pela iniciativa privada como base para produção de orçamentos. Dispõe também a empresa de arquivo com mais de 1000 plantas de prédios públicos, fruto destes quase 17 anos de empresa.

Se existe algum problema com esta, não se situa, como podemos perceber com exemplos de sucesso de muitas empresas públicas, no campo da essência, e sim no da gestão e desvirtuamento de sua função geradora, como instrumento da elite política e econômica para se apropriar dos recursos públicos. 

IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Suas origens estão relacionadas com a criação da Escola Politécnica de São Paulo, em 1894, especialmente devido à criação do Gabinete de Resistência de Materiais, em 1899, que se tornaria o núcleo básico do que viria a ser o Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Atualmente sua atuação se concentra nas áreas de engenharia civil, metalurgia, madeiras, mecânica e eletricidade industrial, engenharia naval e oceânica, transportes, química, geologia, couros e calçados, biotecnologia, tecnologia ambiental, normalização e qualidade industrial, informação tecnológica, informática, educação de nível superior e treinamento.

Sua estrutura engloba 96.596 m2 de área construída, em São Paulo, Franca e Guarulhos, 13 centros técnicos, 30 laboratórios e 10 seções técnicas, com uma equipe de 1.596 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, suporte administrativo e bolsistas (dados de 2005). 

CODASP (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo)

A Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo - CODASP, é vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento e foi criada com a finalidade de prestar apoio técnico à atividade agrícola do Estado. As atividades da empresa visam atender às prefeituras, cooperativas, sindicatos rurais, e principalmente os pequenos e médios produtores.

A Companhia dispõe de quatro Centros de Negócios localizados em regiões estratégicas: São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Bauru e Campinas, cada qual abrangendo os demais municípios de sua porção territorial. Ainda, conta com uma Oficina de Rodados, para atender as necessidades de sua frota, composta de tratores de esteira médios e pesados, tratores de pneus, retroescavadeiras, pás-carregadeiras, caminhões basculantes, implementos agrícolas e outros equipamentos de apoio.

A CODASP realiza serviços de motomecanização e engenharia agrícola com ênfase na conservação do solo e da água, como recuperação e conservação de estradas rurais, controle de erosões, construções e reformas de represas e lagoas de tratamento de esgoto, além de serviços emergenciais prestados aos municípios. 

EMPLASA (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano)

A Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano SA (Emplasa) foi criada em 1975 para cuidar do planejamento da Grande São Paulo, única região metropolitana então existente. Está vinculada à Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado e tem como função dar apoio ao planejamento, programação, organização, coordenação e execução de serviços comuns de interesse metropolitano ou a eles relativos. Atualmente atua nas três Regiões Metropolitanas existentes no Estado: São Paulo, Baixada Santista e Campinas.

Visando subsidiar a tomada de decisões de órgãos e entidades públicos e privados que atuam nas regiões metropolitanas, a EMPLASA elabora planos, projetos e estudos, além de realizar levantamento, tratamento e atualização de informações estatísticas e cartográficas. Fornece, ainda, assessoria técnica aos municípios metropolitanos na elaboração de cadastros técnicos municipais, planos diretores municipais, plantas de valores genéricos de terrenos e edificações, planos regionais e sub-regionais, entre outros.

Assim como a EMTU, a EMPLASA tem diante de si demandas crescente com a iminência de criação das novas regiões metropolitanas, a de Sorocaba e de São José dos Campos, que abarcarão aproximadamente mais 4 milhões de pessoas, atingindo 70% da população paulista e o grande eixo dinâmico de sua economia; razões pelas quais a EMPLASA cumpre função ímpar no tocante a estudos de antecipação de demandas, evitando gargalos econômicos e de prestação de serviços.
 
METRÔ (Companhia Metropolitano de São Paulo)

A Companhia do Metropolitano de São Paulo, junto da CPTM e EMTU são as empresas vinculadas à Secretaria de Transportes Metropolitanos e formam a Rede Metropolitana de Transporte.

Constituída no dia 24 de abril de 1968, a empresa hoje conta com 61,3 km de linhas e 55 estações, divididos em 4 linhas O sistema metroviário é integrado com o de trens em 6 pontos e em 3 terminais rodoviários. Transporta diariamente cerca de 3 milhões de pessoas, tendo no plantel 7600 funcionários.

A empresa dota de grande vitalidade financeira, sendo uma sociedade anônima de economia mista, tendo à frente a Fazenda do Estado de São Paulo com a posse de 99,64% do total. Segundo a sua posição de 31/12/2006, suas ações totalizam R$11,6 bilhões.

O Governo Serra aposta politicamente nessa empresa, como vem demonstrando nesse primeiro ano de Governo. Para o ano de 2008 foram destinados R$2 bilhões de investimento na expansão e melhoria do Metrô. A intenção, como já denunciado pelo PSOL e Sindicato dos Metroviários, reside na transferência para o setor privado da gestão das novas áreas ampliadas via  PPP´s (Parcerias Público-Privadas), que antecipou os objetivos contidos nesse novo edital, ou seja, os trechos novos (Linha 4 Amarela), já está em encontro ao setor privado; o antigo, Linhas 1,2,3 e 5, se destinará agora com a nova ofensiva. 

EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos)

A EMTU é uma sociedade anônima de economia mista e de capital fechado e está vinculada à Secretaria de Transportes Metropolitanos. Foi criada em 1977, incorporada pela EMPLASA em 1980 e restabelecida sua autonomia dez anos depois, em 1987. Sua principal atribuição é o gerenciamento de sistemas de baixa e média capacidades, planejando e fiscalizando o transporte intermunicipal nas regiões metropolitanas do Estado São Paulo, que são três: Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) e Região Metropolitana de Campinas (RMC).  Juntas, essas áreas somam 67 municípios e envolvem uma população de 24 milhões de habitantes. Os serviços oferecidos e gerenciados pela EMTU/SP atendem diariamente 1,5 milhão de passageiros em média.

Seu plantel é de 545 empregados distribuídos em seus escritórios em São Bernardo do Campo (RMSP), Praia Grande (RMBS) e Campinas (RMC). Suas despesas de custeio são inteiramente cobertas com receitas próprias, que atingiram um montante, em 2006, de R$ 57 milhões.

A potencialidade de incipientes Regiões Metropolitanas como a de Sorocaba e São José dos Campos torna a EMTU uma empresa de grande importância na complexa gestão deste malha rodoviária da nascente megametrópole no entorno da Capital.

CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)

A CPTM é a terceira empresa vinculada à Secretaria de Transportes Metropolitanos.  Criada em 1992, a empresa atende hoje 1,6 milhão de pessoa/dia e para isso conta com 110 trens e 5863 funcionários. Perfazem 84 estações operacionais todo o sistema de trens, atendendo 22 municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

Compõe a estrutura de trens da CPTM 257 km de linhas operacionais distribuídas em 6 linhas: Linha A (Luz-Francisco Morato), Linha B (Júlio Prestes-Itapevi); Linha C (Osasco-Jurubatuba); Linha D (Luz-Rio Grande da Serra); Linha E (Luz-Estudantes) e Linha F (Brás-Calmon Viana).

CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo)
A CDHU foi a empresa criada com vistas à correção e supressão do grave problema do déficit habitacional do Estado de São Paulo. No entanto, até hoje este problema foi sequer minimizado, e, não somente nega o problema, como também propõe o Governo Serra a privatização desta Companhia, extinguindo qualquer esforço no sentido fazê-lo.

O déficit habitacional no Estado, em sua totalidade, ou seja, contando todos problemas envolvidos no tocante à inexistência de infra-estrutura, como super-lotação até a própria ausência de moradia (sem-teto), supera a cifra de 1 milhão, que num exercício simples de suposição de 4 moradores por habitação chega a 4 milhões de pessoas, próximo dos 10% do povo paulista.

No ano de 2007 tomou-se conta uma manifestação generalizada de indignação com o fechamento dos escritórios regionais da empresa, que segundo o Secretário da pasta, se fazia jus devido aos altos custos de manutenção, sem levar em conta o distanciamento da empresa da população do interior do Estado. A medida serve, sugestivamente, como símbolo da distância que o tucanato vem aumentando nestes últimos 13 anos entre a população e o Estado nesta e em outras questões. Por outro lado a empresa vem permanentemente ganhando espaço com as páginas da grande mídia, envolvida em práticas corruptas sob comando de políticos do próprio ninho tucano.

A permanência desta empresa, como demonstrado, é a garantia da continuidade da política habitacional do Estado de São Paulo, datada com início em 1949 com a então CECAP (Companhia Estadual de Casas Populares), e assim manter um importante aliado contra a especulação imobiliária dos grandes centros.


DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S. A.)

Fundada em 1969 para projetar e implantar a Rodovia dos Imigrantes, que liga o Planalto e Litoral Paulista, a empresa foi com o tempo ganhando nossas funções, como a construção da Bandeirantes, Ayrton Senna e Carvalho Pinto e duplicação de mais de 270 quilômetros de outras rodovias, como Dom Pedro I e Pe. Manoel da Nóbrega. Também operou por muito tempo uma rede de 800 quilômetros de estradas, entre elas as rodovias Santos Dumont, Hélio Schmidt, Contorno de Campinas e Caminho do Mar. Os desafios exigiam a aplicação de novas tecnologias, que quando indisponíveis, geraram por sua vez,  inovações no ramo. Isso fez da DERSA uma ofertante não somente de serviços, como proprietária de tecnologia de ponta na construção e manutenção de auto-estradas.

No entanto, mesmo a melhor malha rodoviária do país não satisfez o então Governador Mário Covas, que transferiu em 1998 através do Programa Estadual de Desestatização e Parcerias com a Iniciativa Privada, as rodovias Anchieta, Imigrantes, Anhanguera e Bandeirantes para o setor privado. E neste ano, já anunciado, será imposto outro duro golpe aos propósitos da DERSA, que é a privatização do trecho oeste do Rodoanel Mário Covas. Já a privatização da DERSA em si configuraria na supressão deste enorme entrave aos grandes interesses das construtoras.