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no ESTATUTO do Partido
Programa
do Partido
Segue
abaixo o programa aprovado no Encontro Nacional de fundação
do P-SOL, realizado nos dias 05 e 06 de junho em Brasília.
Com esta plataforma programática começamos
a construir nosso partido e inauguramos uma nova etapa
na elaboração programática do partido
que culminará no primeiro Congresso do P-SOL. Neste
sentido, os relatórios aprovados nos grupos abrirão
a tribuna de debates desta construção programática
coletiva que apenas começa. Nos próximos
dias o site estará disponível para receber
as contribuições que com certeza enriquecerão
o debate e permitirão que nosso programa seja construído
pela experiência viva dos movimentos sociais e dos
seus protagonistas.
Introdução
Este
programa estabelece um ponto de partida para a construção
de um projeto estratégico, capaz de dar conta das
enormes demandas históricas e concretas dos trabalhadores
e dos excluídos do nosso país.
Não
se trata, portanto, da imposição de uma
receita pré-estabelecida, hermética, fechada,
imune às mudanças na realidade objetiva
e a experiência viva das lutas sociais do nosso
povo. Pois definir seus balizadores iniciais de estratégia
e de princípio não significa estabelecer
qualquer restrição a constantes atualizações,
para melhor compreender e representar as novas demandas
populares.
Nessa
perspectiva de caminhos novos para a discussão
de um projeto socialista, a necessidade da construção
de um partido de novo tipo se afirma de forma cada vez
mais clara. É uma necessidade objetiva para aqueles
que, nos últimos vinte anos, construíram
uma concepção combativa de PT, e lhe deram
a extraordinária possibilidade de abrir as portas
para um Brasil sem miséria e sem exploração,
mas que viram suas lutas, seus sonhos e expectativas traídas.
A
ruptura com o PT começou pelos servidores federais,
seguida de amplos setores intelectuais, de segmentos da
juventude e de uma significativa parcela da população,
fragmentada na rebeldia, mas localizada na quase totalidade
de pesquisas de opinião realizadas.
Criou-se,
assim, um novo e histórico momento para o país
e para a esquerda socialista que mantém de pé
as bandeiras históricas das classes trabalhadoras
e oprimidas. Na medida em que o governo Lula acelera a
rota para o precipício, abre-se um caminho para
uma alternativa de esquerda conseqüente, socialista
e democrática, com capacidade de atrair e influenciar
setores de massas, e oferecer um canal positivo para os
que acreditam em um outro Brasil.
Parte
I - Bases do programa estratégico
1)
Socialismo com democracia, como princípio estratégico
na superação da ordem capitalista.
O sistema capitalista imperialista mundial está
conduzindo a humanidade a uma crise global. A destruição
da natureza, as guerras, a especulação financeira,
o aumento da superexploração do trabalho
e da miséria são suas conseqüências.
Sob o atual sistema, o avanço da ciência
e da técnica só conduz a uma mais acelerada
concentração de riquezas. A agressiva busca
do controle estratégico dos recursos energéticos
do planeta está levando à própria
devastação destes recursos. A lógica
egoísta e destrutiva da produção,
condicionada exclusivamente ao lucro, ameaça a
existência de qualquer forma de vida.
Assim,
a defesa do socialismo com liberdade e democracia deve
ser encarada como uma perspectiva estratégica e
de princípios. Não podemos prever as condições
e circunstâncias que efetivarão uma ruptura
sistêmica. Mas como militantes conscientes que querem
resgatar a esperança de dias melhores, sustentamos
que uma sociedade radicalmente diferente, somente pode
ser construída no estímulo à mobilização
e auto-organização independente dos trabalhadores
e de todos os movimentos sociais.
O
essencial é ter como permanente a idéia
de que não se pode propor essa outra sociedade
construída sem o controle dos próprios atores
e sujeitos da auto-emancipação. Não
há partido ou programa, por mais bem intencionado
que seja, que os substituam. Uma alternativa global para
o país deve ser construída via um intenso
processo de acumulação de forças
e somente pode ser conquistada com um enfrentamento revolucionário
contra a ordem capitalista estabelecida. Nesta perspectiva
é fundamental impulsionar, especialmente durante
os processos de luta, o desenvolvimento de organismos
de auto-organização da classe trabalhadora,
verdadeiros organismos de contra-poder.
O
desafio posto, portanto, é de refundar a idéia
e a estratégia do socialismo no imaginário
de milhões de homens e mulheres, reconstruindo
a idéia elementar -- mas desconstruída pelas
experiências totalitárias dos regimes stalinistas
e as capitulações à ordem no estilo
da 3ª via social-democrata -- de que o socialismo
é indissociável da democracia e da liberdade,
da mais ampla liberdade de expressão e organização,
da rejeição aos modelos de partido único.
Enfim, de que um projeto de emancipação
social dos explorados e oprimidos nas condições
atuais é um verdadeiro projeto de emancipação
da civilização humana, de defesa da vida
diante das forças brutais de destruição
acumuladas pelo capitalismo imperialista.
A
defesa do socialismo, finalmente, não é
apenas a defesa das reivindicações dos trabalhadores
melhor organizados, mas a conseqüente busca de incorporação
das reivindicações e lutas de todos os setores
oprimidos. A luta pelo socialismo é também
a luta contra todas as opressões, injustiças
e barbáries cotidianas.
2)
Não há soberania, nem uma verdadeira independência
nacional, sem romper com a dominação imperialista
O capital financeiro-imperialista não se limita
à sangria do pagamento da dívida e dos ajustes
impostos pelo FMI. Pretende impor, agora, com os acordos
em negociação (caso concreto da ALCA), as
condições para um aumento maior da exploração,
com a resultante dilapidação dos nossos
recursos naturais e energéticos. A Amazônia
é um alvo concreto. O controle da sua biodiversidade,
através das "leis de patentes", e a devastação
florestal em busca dos minérios, ou na lógica
do agro-negócio, são parte dessa ofensiva.
Outro alvo das multinacionais são as bacias da
Petrobrás.
Um
programa alternativo para o país tem que ter nas
suas bases fundadoras o horizonte da ruptura com o imperialismo
e suas formas de dominação. O Brasil precisa
de uma verdadeira independência nacional. E ela
só é possível com uma rejeição
explícita à dominação imperial.
3)
Rechaçar a conciliação de classes
e apoiar as lutas dos trabalhadores
Nossa base programática não pode deixar
de se pautar num principio: o resgate da independência
política dos trabalhadores e excluídos.
Não estamos formando um novo partido para estimular
a conciliação de classes. Nossas alianças
para construir um projeto alternativo têm que ser
as que busquem soldar a unidade entre todos os setores
do povo trabalhador - todos os trabalhadores, os que estão
desempregados, com os movimentos populares, com os trabalhadores
do campo, sem-terra, pequenos agricultores, com as classes
médias urbanas, nas profissões liberais,
na academia, nos setores formadores de opinião,
cada vez mais dilapidadas pelo capital financeiro, como
vimos recentemente no caso argentino. São estas
alianças que vão permitir a construção
da auto-organização independente e do poder
alternativo popular, para além dos limites da ordem
capitalista. Por isso, nosso partido rejeita os governos
comuns com a classe dominante.
4)
Reivindicações para a luta imediata e bandeiras
históricas para além da ordem
A defesa de melhores salários, o combate contra
o desemprego e contra a corrupção, a luta
pela reforma agrária, a luta por uma reforma tributária
que taxe o grande capital, a luta pela reforma urbana
são alguns exemplos de reformas verdadeiramente
prementes, que devemos defender com a compreensão
de que elas não se realizam plenamente nos parâmetros
do sistema capitalista.
5)
A defesa de um internacionalismo ativo
São tempos de agressão militar indiscriminada
do imperialismo. Os EUA se destacam como país agressor,
que agora chefia a ocupação do Iraque, intervém
na Colômbia, no Haiti, promove tentativas de golpes
na Venezuela e apóia o terrorismo de Estado, de
Israel contra os palestinos. A retomada do internacionalismo
é objetivo do novo partido. Para além do
nosso continente, temos que empenhar todo o esforço
no apoio ao movimento anti-globalização,
com seus fóruns sociais e suas mobilizações
de massas iniciadas a partir de Seattle.
No
caso das sistemáticas agressões, guerras
de ocupação das grandes potências
capitalistas, como no caso do Iraque, devemos levantar
de forma inequívoca a auto-determinação
dos povos e contra qualquer tipo de intervenção
militar.
Parte
II - Bases de análise e caracterizações
1) Aumenta a exploração do Brasil e da América
Latina
O caráter parasitário do sistema capitalista
se faz mais evidente na atual fase da economia mundial.
Somente uma parte do capital é mobilizado para
adquirir matérias primas, ampliação
de recursos humanos e investimentos, renovação
de equipamentos produtivos. Sua maior parte se destina
a especular sobre o valor futuro da produção,
utilizando-se dos mais variados instrumentos especulativos,
seja o câmbio das moedas, a dívida pública,
a sobrevalorização dos terrenos, as ações
das empresas e dos mercados futuros e os investimentos
em tecnologia.
O
atual regime financeirizado exige um grau bastante elevado
de liberalização e desregulamentação
das economias nacionais. E, por conta de dívidas
externas nunca auditadas, impõe processos de privatização.
Acordos como a ALCA e a propriedade intelectual também
são fatores de aumento da exploração.
Por
conta de benesses tributárias, tais como isenção
de remessa de lucros e dividendos para suas matrizes,
grandes corporações multinacionais já
se apropriaram de mais da metade do capital de toda a
indústria instalada no Brasil. Dominam diretamente
1/3 da indústria básica (petróleo,
siderurgia, petroquímica, papel e celulose, agroindústria),
mais de 80% da indústria difusora de tecnologia
(aeronáutica, química fina, eletrônica)
e metade de setores tradicionais da indústria nacional
(bebidas, têxtil, alimentos, calçados). No
setor de serviços aconteceu o mesmo, com a desnacionalização
dos bancos, dos serviços de infraestrutura (como
energia e telecomunicações) e até
do comércio.
O
mecanismo da dívida externa segue sendo fundamental
neste processo de exploração e de domínio
do imperialismo sobre o Brasil. Dos contratos de endividamento
externo, disponíveis no Senado Federal, cerca de
92% deles têm cláusulas que permitem ao credor
elevar as taxas de juros. Além disso, 49,5% dos
contratos renunciam expressamente à soberania,
indicando um foro estrangeiro para solucionar controvérsias.
Por último, 38,36% dos documentos vinculam o recebimento
do dinheiro à realização de programas
do FMI ou do Banco Mundial, assim como 34,24% deles impedem
o Brasil de controlar a saída de capitais.
2)
A classe dominante brasileira é sócia da
dominação imperialista
A grande burguesia brasileira é sócia da
dominação imperialista. Enquanto no Brasil
mais de 50 milhões sofrem com a fome, apenas 5
mil famílias concentram um patrimônio equivalente
a 46% da riqueza gerada por ano no país (PIB).
Por sua vez os 50% mais pobres, isto é, 39 milhões
de trabalhadores, detêm apenas 15% da renda nacional.
Enquanto isso, os capitalistas brasileiros seguem especulando
com os títulos brasileiros no exterior e mantém
bilhões de dólares nas suas contas nas ilhas
Cayman, nas Bahamas, nas ilhas Virgens e em depósitos
nos EUA. Registrado legalmente no Banco Central, no final
de 2002, havia US$ 72,3 bilhões de capitais investidos
no exterior de residentes no Brasil. A ampla desnacionalização
na indústria e no próprio sistema financeiro
nacional - ocorrida nos anos 90 através de fusões
e aquisições - foi aceita sem resistência
séria de setores da classe dominante nacional;
sob a aplicação do modelo neoliberal ficou
evidente a incapacidade da classe dominante brasileira
e suas oligarquias setoriais e regionais de opor qualquer
resistência séria à dominação
do capital financeiro.
3)
Governo Lula: guinada doutrinária a serviço
do capital
A vitória de Luis Inácio Lula da Silva foi
uma rejeição do modelo neoliberal lançado
no governo Collor, mas consolidado organicamente nos dois
mandatos de FHC. Seus 52 milhões de votos eram
a base consistente para uma nova trajetória governamental.
Seu
governo, no entanto, foi a negação dessa
expectativa. Depois de quatro disputas, Lula entregou-se
aos antigos adversários, e voltou as costas às
suas combativas bases sociais históricas. Transformou-se
num agente na defesa dos interesses do grande capital
financeiro. Na esteira dessa guinada ideológica
do governo, o Partido dos Trabalhadores foi transformado
em correia de transmissão das decisões da
Esplanada dos ministérios.
Parte
III - Um programa de ação, de reivindicações
dos trabalhadores e do povo pobre e medidas democráticas,
anticapitalistas e antiimperialistas
Ainda que nos marcos de um programa provisório,
uma primeira plataforma de ação deve ser
capaz de sintetizar e concretizar, não um simples
enunciado de palavras-de-ordem, mas a articulação
das reivindicações dos trabalhadores e do
povo com a necessária ruptura com o FMI, com a
dívida externa e Alca, bem como sua ligação
à mudança do regime social e a conquista
de um governo dos trabalhadores e das classes populares
exploradas e oprimidas no capitalismo.
O
caminho da luta, da mobilização direta,
do apoio às greves pelas reivindicações
é o caminho central por onde passa a defesa por
melhores salários, o direito ao trabalho, à
terra, e para enfrentar os ataques do imperialismo, dos
capitalistas e seus governos. Por isso, estamos pela defesa
e o apoio às lutas dos trabalhadores, desempregados,
camelôs, sem teto, sem terra.
1)
Redução imediata da jornada de trabalho
para 40 horas, sem redução dos salários.
Progresso tecnológico a serviço da criação
de postos de trabalho.
Mais de um milhão de trabalhadores perderam o emprego
em 2003. A crise do desemprego foi transformada numa crise
estrutural. É fundamental o combate contra a generalização
das horas extras e a redução da carga horária
para 40 horas semanais, rumo à jornada de 36 horas.
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