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Somos
parte dos que
Denunciaram
a subalternidade indigna ao sistema financeiro e a conseqüente
especulação predatória a que a nação
brasileira foi submetida com a implantação
do modelo neoliberal imposto durante toda a década
de 90.
Nunca
aceitaram, passivamente, que os lucros incessantes da
agiotagem internacional pudessem se sobrepor aos interesses
do desenvolvimento nacional, justo e democrático,
do povo brasileiro, por conta de uma suposta dívida
externa nunca auditada, e que foi multiplicada durante
a aplicação desse modelo.
Gritaram
contra as privatizações que entregaram grande
parte de nosso patrimônio de empresas públicas
às grandes corporações multinacionais,
quase sempre com financiamentos do BNDES.
Defendem a coerência com essa história de
lutas, com as bandeiras e reivindicações
da classe trabalhadora, que permitiram a vitória
de Lula na eleição presidencial de 2002,
quando o povo brasileiro mostrou sua rejeição
a esse modelo neoliberal.
Permanentemente
apóiam as lutas da classe trabalhadora e da juventude,
as marchas e ocupações dos sem-terra e dos
sem-teto, as greves e mobilizações por salário,
emprego, terra, educação, saúde e
melhores condições de vida em geral.
Estiveram
na linha de frente da luta contra a reforma da Previdência,
das mobilizações e das greves do funcionalismo,
que denunciou o desmonte da previdência pública
em beneficio dos fundos de pensão.
Não
aceitam ver essa vitória se transformar em mais
um episódio de frustração do povo
brasileiro.
Somos
os que defendem o socialismo, com democracia e liberdade.
Como
vemos o quadro atual
Não
aceitamos a premissa de que não havia alternativa
diante da inquestionável "herança maldita"
que não fosse a continuação desse
rejeitado modelo, mesmo por um dito período de
transição. Antes de tudo, porque não
existe transição para um modelo democratizante
quando a dinâmica aplicada se fundamenta em paradigmas
de um monetarismo ortodoxo e conservador, o que se confirma,
inclusive, pelas próprias declarações
do ministro da Fazenda, em reunião com a bancada
federal do PT, quanto à manutenção
do absurdo superávit fiscal recessivo pelos próximos
dez anos, a depender de sua vontade.
Não
aceitamos que um governo majoritariamente dirigido pelo
Partido dos Trabalhadores possa apresentar, como grandes
conquistas - para além de índices virtuais
financeiros que só interessam aos especuladores
dos famigerados "mercados" - duas alterações
constitucionais absolutamente inaceitáveis. E sem
levar em conta que tais índices virtuais são
simultâneos à tragédia no quadro da
economia real, com recordes de desemprego e perda de valor
dos salários. Referimo-nos ao que se chamou reforma
da Previdência e reforma tributária, que
não passaram de cumprimento de tarefas estabelecidas
pelo FMI. Tais iniciativas já teriam se concretizado
durante o governo FHC não fora, exatamente, a resistência
dos servidores, apoiados pelo PT.
Consideramos,
portanto, que o governo Lula se determinou à tarefa
não estranha ao passado recente da social-democracia
institucional: fazer, pelo grande capital, aquilo que
a direita tradicional não teria condições
de concretizar.
O
cenário exposto nos leva a uma conclusão:
mesmo sem explicitar, o PT abriu mão, de forma
irreversível, dos seus princípios fundadores.
Já se movimenta no sentido de reproduzir, na campanha
municipal de 2004 e na campanha presidencial de 2006,
uma composição de legendas nos termos da
que organiza como base parlamentar de apoio - PMDB, PTB,
PL, e mais quem se propuser a participar do "toma-lá-dá-cá"
na compra fisiológica de votos do plenário.
Até o PP malufista encontra espaço para
reivindicar cargos de primeiro escalão. PC do B,
PSB e PPS, com um ruído aqui, outro ali, terminam
acompanhando e consolidando o grande frentão de
centro-direita, deixando um espaço que, evidentemente,
não pode permanecer inerte.
O
que queremos
Acreditamos
na luta da classe trabalhadora, da juventude e do povo
pobre como instrumento privilegiado que pode levar à
conquista de emprego, salário, terra, saúde,
educação, à defesa dos direitos dos
segmentos oprimidos e à defesa do meio ambiente,
hoje ameaçados pelo projeto aplicado pelo governo.
Não
nos conformamos com a guinada doutrinária da direção
nacional do PT e de seu governo. Portanto, temos o direito
- para não invocar a obrigação -
de construir uma alternativa partidária, capaz
de preencher o espaço abandonado. Uma alternativa
partidária de luta, contra o modelo neoliberal
e o governo que o aplica, de defesa das reivindicações
e das bandeiras da classe trabalhadora; que seja democrática
e plural, de massas e internacionalista, liberta de qualquer
doutrinarismo e espírito de seita, com mecanismos
que garantam a participação ativa da militância,
com pleno direito de tendência e profundo respeito
às minorias e ao direito de opinião. Ele
estará aberto a todos os que - egressos ou ainda
militantes do PT, bem como de outros partidos de esquerda
que não se deixaram seduzir pelas benesses palacianas
e que defendam a independência dos trabalhadores
frente à burguesia. A todos os que têm clareza
da absoluta incompatibilidade do pleno atendimento das
demandas de justiça social, com radicalização
do processo democrático, nos limites do regime
capitalista. A todos, enfim, que se definem como de ESQUERDA
e se identificam com o SOCIALISMO COM DEMOCRACIA como
objetivo estratégico, de forma explícita
e permanente.
Defendemos
a construção de uma alternativa partidária
com todos os que não aceitam a continuidade da
submissão do país aos interesses dos bancos
e do FMI, que rejeitam a Alca, o pagamento da dívida
externa, a autonomia do Banco Central, o corte dos direitos
trabalhistas, previstos na proposta de reforma sindical-trabalhista
do governo Lula, e a política de destruição
da universidade pública, prevista na reforma universitária.
É
isso o que queremos começar a construir a partir
dessa primeira reunião. Estas são apenas
algumas das idéias que queremos discutir com milhares
de companheiros para construirmos juntos uma nova ferramenta
política e partidária para o povo brasileiro.
Acreditamos que só a partir da discussão
democrática poderá surgir essa nova alternativa
partidária. É para essa discussão
que convocamos todos os que acreditam que um outro mundo
é possível e necessário.
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